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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Trova premiada






segunda-feira, 20 de novembro de 2017

DEPOIS DE ZULEIKA MORTA

O Professor Stênio aboletou-se na casa da filha tão logo se deu o sepultamento da esposa 
Zuleika. Não perguntou se podia ou não podia. Lucinha também não refletiu se poderia ou não poderia hospedar para sempre o pai viúvo. Jamil, o marido de Lucinha não foi ouvido, o que não 
faria diferença, porque voz ativa era coisa que lhe faltava. O neto único de Stênio, Jorginho, murmurou “hurra!”, pois, a ausência da avó seria preenchida por um avô daqueles de contar causos de verdades duvidosas, desfiar invencionices e charlar sobre bondes, Avenida Central e  Maracanã.

Nascia assim um novo arranjo de família. Pode-se dizer que Lucinha ganhou o pai novamente. 
Que Jamil ganhou mais um vivente que não lhe dava a menor importância. E que o adolescente 
de buço e mãos permanentes entre as pernas ganhara um irmão mais velho. Havia também na casa Maria das Graças que ganhava na mesa mais um comensal de suas delícias de forno e fogão. 

A falecida Zuleika: êta mulher enérgica. Não morava tão perto da filha no Rio Comprido, mas 
uma hora de bonde diariamente era suficiente para manter a pequena família sob seus cordéis, azucrinando a todos com o que já era sabido e vivido:
- Esse seu marido é uma banana. Um homem de fritar bolinho.

Lucinha engolia as intromissões por conveniência, mas virava onça quando a velha falava do filho.
- Esse menino diz que quer se médico. Mas nunca o vejo estudando. Vive com a mão no pinto, 
vai ver descobrindo a anatomia. Está na hora de fazer alguma coisa de útil.
- Meta-se com o pinto do seu marido, minha mãe!
- Aquilo, minha filha, é um gato de armazém. Vive dormindo em cima do saco. 
- Que chulo, Deus me perdoe ouvir isso.

E seguia-se um sinal da cruz.
Zuleika não tinha papas na língua. Seu definhamento fora providencial. Lucinha se libertava aos 
pouquinhos da mãe, sem que os grilhões da culpa de filha única fossem rompidos. Esmerou-se em cuidados com a moribunda até o último suspiro. 
Os primeiros momentos do luto foram chorosos e silenciosos. Mas o remorso veio a cavalo. 
Lucinha sentia que poderia ter feito mais pela mãe e ter tido menos impaciência com as bisbilhotices 
da matriarca.  
- Por que a chamei tanto de velha cacete? Por que, minha Nossa Senhora dos Arrependidos?

De nada adiantava recorrer à memória dos maus momentos, das chaturas e do nariz em pé. 
De nada servia lembrar das bengaladas que a velha distribuía na cama hospitalar montada em 
casa, relutando contra paliativos e rostos compadecidos de parentes que resolveram se despedir 
ou ao menos se certificar que Zuleika estaria partindo, padecendo como, segundo muitos, bem merecia.
- Eu não quero ver a cara urubulina da Cotinha. Ponha esta mulher daqui para fora.

O neto não entendia bem o que estava acontecendo. Achava que era tísica e que a penicilina resolveria. Sempre a visitava no cair da tarde, depois do colégio. Tinha um carinho cerimonioso 
pela avó, que o tratava como se fosse um filho. Ou um idiota de penugem no buço.
- Menino, tira essa mão de dentro da calça. Até no quarto de uma doente não perde essa mania.  
Vai nascer cabelo nos dedos.

Jorginho achava graça da rabugice da avó. E nos quadris insinuantes da enfermeira. Lembrava 
que o avô sempre lhe alertava para não se lambuzar de catarro da bexiga, coisa que só extraía na calada do banheiro e imerso em pensamentos delirantes pelo que escondiam aqueles quadris. 
Jamil era indiferente à moléstia avassaladora da sogra. Torcia por um breve desfecho, ah, com 
toda certeza. Em nada ajudava a mulher que se desdobrava em providências, compras de panos 
para fraldas, seringas, soros, balões de oxigênio e lotes de morfina, reuniões com os médicos, encontros secretos com Dr. Rodolfo, o clínico da família, que dispunha à Lucinha ombros, 
abraços e outros acolhimentos inconfessáveis.  Pouco Jamil falava com o filho que se esvaía em homenagens à enfermeira. Nunca se dirigia ao sogro, que assim como a esposa, 
o considerava um exemplar borra-botas. Jamil chegava da repartição cartorial pontualmente 
às 18 horas e mergulhava os ouvidos na Rádio Nacional. Jantava em silêncio e depois do 
Repórter Esso já babava na poltrona.

Quando se deu o óbito de Dona Zuleika, só Maria das Graças chorou. 
Stênio providenciou um funeral de primeira, resgatando a tradição de cavalos de penacho 
roxo puxando o coche envidraçado pelas ruas do Catumbi. Houve marcha fúnebre, coroas, 
rezas, homens com chapéu na mão e semblantes circunspectos sob véus pretos.
- Não sei por que papai vendeu a chácara na Ilha do Governador para comprar esse jazigo de 
granito com esse anjo de bronze. Coisa mais exibida. 

Na descida do caixão, os sentimentos de Lucinha não eram de saudade. 
O fim da enfermidade de Zuleika se dera como esperado. Cotinha exultou o rosto sereno da 
defunta, no que concordaram as outras comadres. 
- Deve estar feliz por se livrar de tanto traste em volta.

Na mesma noite, Stênio apareceu com a mudança. Três malas. Duas de roupas, uma só de livros. Deixava para trás a casa em São Cristóvão, onde já tinha tratado de alugar, a preço módico e
porteira fechada, a uma família aparentada distante. Stênio acomodou-se, sem pedir licença, 
no último quarto vazio do casarão do Rio Comprido. Precisava do convívio, mesmo que 
sorumbático, da família de Lucinha.

No jantar do dia fúnebre, Maria das Graças serviu galinha assada com batatas coradas, arroz de 
forno, farofa de miúdos e azeitona.
- Receita de Dona Zuleika.

Ninguém entendeu – ou quis entender – a homenagem da cozinheira. Todos se fartaram de chupar ossinhos e Stênio ensaiou um discurso com prenúncios de verborragia infinita.
- Que a memória de nossa Zuleika esteja presente nessa casa...

Não terminou a frase. 
- Nos poupe, papai. Deixe a mamãe em paz.

E todos se recolheram sem dar mais um pio. 
E assim o luto foi se dissipando, cada um com seu jeito de lidar com a morte. Apesar dos altos e baixos de Lucinha, a vida entrava nos eixos – o que se há de fazer? -, como se um alívio restaurador tivesse substituído as agruras de uma doença perversa.

Passado mais de ano, tudo seguia na normalidade imposta pelos novos tempos, em particular pela presença espaçosa do viúvo. Havia sinais de novas rotinas.  
- Das Dores, minha filha, com o perdão do trocadilho: essa sua rabada é dos deuses. 
- Modos, papai. Todo jantar uma troça?

Novos hábitos se sucediam. Um aparelho Gillete Monotech passeava dia sim dia não ao redor 
da boca, pelo queixo e bochechas de Jorginho. Mais raparigo e sabedor da doença da 
avó, concentrou-se no exame para a Escola de Medicina: resolveu ser oncologista. Jamil não
deixou de ser o macambúzio de sempre, mas passou a dar bom dia, boa tarde e boa noite, e a tecer 
elogios entusiasmados às receitas de Dona Zuleika, que Das Graças servia a todo jantar. 
Nem babava mais na poltrona. Mesmo sem sucesso, animava-se em procurar Lucinha sob 
os lençóis.

Certa noite, o rapazola insone levantou da cama. Avançada madrugada, passou serelepe pelo 
filtro de barro na cozinha e ao primeiro gole percebeu um vulto se esgueirando no quintal. 
Quase borrou-se.
- Quem está aí?

O vulto desapareceu por trás do tronco da mangueira. Jorginho insistiu trêmulo.
- Quem está aí?

Quem estava disposto a prestar exame para Escola de Medicina deveria estar preparado para 
os sustos da vida. E assim, entre peidos nervosos e mãos suadas, Jorginho chegou de mansinho 
ao centro do quintal, onde uma única árvore se postava equidistante entre o casarão e as 
dependências de serviço. 
- Sou eu. Seu avô.
- A essa hora?
- Desde que Zuleika morreu, não tenho um sono inteiro. Chegue aqui perto. Olhe o céu como 
está estrelado.
- O senhor acredita que vovó virou uma estrelinha?
- Talvez. Converso com ela, quando as nuvens deixam. Tenho coisas a dizer que não foram ditas.

Os dois se juntaram mais ainda num abraço cúmplice. Olhavam para o céu. 
- Como estudante das ciências, não deveria estar fazendo essa pergunta. Mas qual delas é a velha Zuleika?
- Agora não sei mais. Ela aparece e desaparece.
- Como assim?
- Mistérios de Dona Zuleika. Agora, vejo estrelas solitárias vivinhas da silva. 
- Eu também, vô! Aquele ali, aquele ali é o Garrincha, não é?
- Isso. Mais atrás o Didi e o Nilton Santos.
- Claro. As estrelas solitárias que nos conduzem.  
- Guarde bem esses nomes, Jorginho. Olhe bem para eles. Ano que vem tem Copa do Mundo na Suécia. Dessa vez, vai. Eu sei que vai. 

O encanto de avô e neto abraçados no quintal foi percebido por Jamil, que ao abrir sorrateiro 
a porta da cozinha para o quintal, tremeu-se e deu meia volta. Foi tão rápido quanto desapercebido.
Stênio e Jorginho voltaram abraçados a seus quartos. Despediram-se com fervor. Jamil chegou esbaforido na cama, onde Lucinha dormia como um prego de barriga para cima, rígida, mãos cruzadas, como se imitasse a mãe morta. Ela agora estava com essa mania. 

Entre novas manias, contemplações noturnas, silêncios, eloquências inesperadas, hábitos estranhos 
e jantares soberbos, a vida trilhava seu curso. Até que num fim de uma tarde, Lucinha deu a notícia:
- Maria das Graças foi embora.

Não fosse um acesso de tosse de Jamil, o silêncio seria total.
- Alegou a moça que precisava voltar para a Bahia. Saudade da mãe. Disse que temia não a ver mais, conforme se deu com mamãe.
- Você deixou, mãe?
- Não só deixei, como acertei suas contas e lhe paguei passagem de ônibus. A essa hora deve estar para lá de Magé. Mas não se preocupem. Amanhã mesmo Tia Cotinha vai mandar uma substituta. 
E Das Graças deixou um bobó na panela.

O jantar foi degustado sem prazer nem palavras. Seguiu-se um caminhar cabisbaixo cada um para 
seu canto. Nem Repórter Esso foi visto naquela noite. Muito menos as estrelas.

Cinco ou seis meses depois, numa manhã de sábado, o carteiro apareceu com três envelopes. 
Para o Professor Stênio, para o Senhor Jamil e para o “Doutor” Jorginho. Por sorte, todos 
estavam em casa, menos Lucinha: dia de feira. 
Estranharam os três os envelopes, principalmente pela ausência de remetente. Mas o selo com carimbo de Salvador – BA os fez tremer. Partiram para longe um do outro e às escondidas 
abriram a correspondência. Não havia palavras. Apenas uma fotografia em preto e branco de 
uma pessoa sorridente, sestrosa e conhecida. Nua. Frontalmente nua, no pé de um coqueiro. 
Cabelos castanhos fartos em caracóis, corpo moreno, ancas bem moldadas, mamilos rijos escurecidos, densos pelos no triângulo abaixo do umbigo. E sob o ventre, mãos entrelaçadas amparavam uma proeminência visível como uma melancia, de uns cinco ou seis meses crescentes. 
- Retratista, capricha na fotografia. É pra mandar pra gente que bem me quer.

O recado estava dado. 
Jamil queimou o retrato e jogou o que restou no vaso sanitário. Espalhou alfazema no banheiro 
para disfarçar o cheiro de papel queimado. Arrumou-se de qualquer jeito e partiu em desespero 
para o armazém, onde comprou chumbinho de matar rato. Jorginho escondeu a foto entre a
coleção secreta de revistas de desenhos de amores explícitos. Só para matar saudade.
O Professor Stênio vestiu colete, gravata e paletó, em cujo bolso escondeu a fotografia. Pegou 
o bonde rumo ao cemitério do Catumbi. Ao chegar lá, comprou flores e dirigiu-se ao jazigo 
de Zuleika. Dispôs a foto da Maria das Graças nua nos pés do anjo de bronze, ajoelhou-se, 
rezou um Pai Nosso, uma Ave Maria e encerrou as orações:
- Gato de armazém é a puta que te pariu. Amém. 





sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Hermenêutica - Poema de Hugo Lima



Hermenêutica




 noite de hotel
 hóspede da Lapa
 ouço risos e talheres
 num samba-canção


      descer
      ou reler Foucault?
      entornar Nietzsche
      nos copos de cerveja


 pagar as despesas
 que a filosofia me deixou
 (até quando?)














quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Beco

Não tenho janela que dê para cena bonita. Nem para um jardim visitado por pássaros bica-latas em frenesi de busca a um banquete de migalhas. Nada de flores sem-vergonha se oferecendo aos olhos como damas da noite. Nenhum parque onde crianças e idosos exponham o inevitável ciclo tese-antítese — irracionalmente injusto e belo — dos começos e fins.
Mas tenho o beco.
Durante anos, me recusei a olhar pelas vidraças. Nem mesmo um debruçar para que as narinas sentissem os cheiros ordinários das histórias urbanas; humanas, inumanas. Limitei minhas percepções ao para cá das cortinas sempre fechadas em todos os cômodos. E me deixei encaixotar por paredes seguras, por um teto limpo, linear, por um chão sem terremotos.
Quando as vozes me subiram da rua até os ouvidos de primeiro andar, dediquei-lhes a leve rotação de cabeça que permito aos incômodos, às coisas insignificantes, a tudo que está fora de lugar. Eram apenas pessoas trazendo alguns tons de plenitude ao meu espaço blindado. Mas as vozes ficaram, desde então. Recorrentes. Nítidas.
Três homens. Um deles denuncia a idade nos conselhos que dá aos outros dois. Em cada frase, a contrapartida de um alerta, de um já aconteceu comigo. É um velho. E os mais jovens se divertem com ele.
Às vezes, um deles não vem. E eu me pergunto o que estará fazendo. Desconforta-me não saber. Uma sensação que só mais tarde identifico como falta. Cada ausência, uma história inacabada. A namorada indecisa entre ceder ou guardar para futura chantagem uma virgindade a ser negociada a casamento. Um sofá em que quase tudo acontece entre as idas e vindas de um pai zeloso à cozinha. E no qual os sonhos de uma moça sem rosto se misturam ao tesão de um rapaz sem intenções. Cada ausência, outra história sem desfecho. O desespero do rapaz de voz grossa. Dívidas e os empréstimos que nunca deveriam ter sido feitos. E novos empréstimos. Um segundo emprego para fazer mais dinheiro. Uma crença perversa nos jogos de loteria.
O velho me irrita. Não gosto dele nem das suas rotas de fuga desgastadas. A bebida revelada no arrastado das frases; a ostentação de uma força inexistente; o óbvio sentenciado como verdade. Não gosto do descaso com que fala da própria mulher e do câncer que a tem levado aos poucos. Detesto gente em negação. Gente que não se quer realidade. Que não aceita sofrer, que olha para o outro lado para não fazer parte das dores, que se entrincheira em salas e quartos confortáveis, seguros, limpos, lineares, sólidos. Gente que cerra cortinas.
Hoje, me desenfreio. A janela aberta liberta meus olhos ávidos. Encostados à porta dos fundos do pequeno restaurante italiano, três homens falam e fumam. E eu vejo as vozes pela primeira vez. 
É apenas outra noite de conversas e conselhos. Uma noite de beco.





quarta-feira, 15 de novembro de 2017

este Novembro deu-se




Nem sei se estou aqui, se ainda estou lá, mas, ainda assim, conto.

Era uma praça. Um espaço amplo. 
Eu tinha lá chegado vinda da cidade e queria  ir adiante.
Ontem, como hoje, era este mês de Novembro. 
Era este mês de Estio quase em Dezembro.
Dava-me em cheio na nuca, um sol muito quente e eu com o pescoço a descoberto do cabelo que costumo ter solto mas trazia atado num desgracioso carrapito.
Eu de pele nua àquele sol de quase Inverno a brilhar com despudor de Julho.
A acrescer, aquela praça mais e mais imensa a cada passo que ía dando.
Comecei a ficar mole, febril, com tonturas e com tremores, e uma dor dispersa irradiou como se fosse de ferida nas tripas ou no peito ou no sangue.
Deu-me azia e, geladas, pingaram-me da testa umas bagas grossas que me escorrerem sobre o rosto, o pescoço e o peito que eu trazia descoberto num decote generoso, neste mês de loucos.
E nem um pensar solto, criativo, que me resolvesse a questão que parecia simples mas que, pastosa, se movia nos meus lábios sem solução.
- Como faço eu para sair deste largo.
E eu nem sequer mais um passo. Eu desistindo, que não havia rua para me levar dali a outro lado, e nem porta de prédio ou janela que eu abrisse para safar-me daquele sítio. Nada de nada, a não ser espaço. Dali ao infinito, nem um muro, nem uma parede, um poial, uma escada, um pedregulho. Um buraco no chão, que fosse.
De um e outro lado, espaço, apenas espaço.
Qualquer que fosse a direcção em que eu olhasse, apenas espaço, e eu a ficar mole, eu com azia, eu com tremores e umas bagas frias a pingarem-me da testa e a escorrerem-me, geladas, sobre os seios, o ventre, os dois dedos grandes, o direito e o esquerdo dos meus pés parados.
Eu sem ter para onde ir e tanto espaço.
- Como faço para sair deste largo?
E ninguém que me respondesse.





quinta-feira, 2 de novembro de 2017

HOMEOPATIA - parte II












Recusa

Ela torcia o nariz para todos os pretendentes que o pai lhe apresentava. Enquanto isso, o vestido de noiva feito pela mãe amarelava no armário.


Dressed to kill

Quando ela punha aquele vestido vermelho, dizia estar “vestida para matar”. A cruel assassina em série foi presa ontem.


Ecumênico

Ele, judeu; ela, muçulmana. Não precisavam de sinagogas ou mesquitas para saber que nem só de ódio vive a Faixa de Gaza.