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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A mais breve história de amor

           

Amo rabada suculenta,
javali e picanha sangrenta,
bucho, mocotó e dobradinha,
língua, isca de fígado bem cortadinha,
moela, torresmo, foie gras,
cassoulet, sarapatel, vatapá,
caruru, pato ao tucupi,
miolo à doré, magret de canard,
paella, sardinha e pirarucu,
miúdos graúdos no angú,
pied de couchon, caviar,
feijoada, cozido de Portugal,
einsbein, bratwurtsbacalhau,
vôngole, escargot à provençal
goulash, labskaus, vaca atolada,
ovas, salsicha na macarronada,
tutu, feijão tropeiro, porcheta,
churrasco e feijoada,
de cordeiro a crocante paleta,
matambre, cupim, galinhada,
de porco, pernil e joelho,
frango à passarinho, caçarola de coelho,
linguiça, chouriço, boudin,
cochinillo, coq au vin,
leitão à pururuca, assado de costela,
paio, kassler, alcatra de panela,
galeto ao primo canto, galinha de cabidela,
molhos pardo, carbonara, bolonhesa,
spaghetti ao ragu de calabresa,
alheiras caseiras, carne seca no pastel,
ovos com bacon, picadinho de quartel,
escalope à milanesa, T-Bone aqui na mesa,
bisteca florentina, parrillada argentina,
pão com mortadela, salaminho e carne assada,
ceviche, sushi, mariscada,
carne de sol em manteiga de garrafa,
siri, guaiamum, caranguejo de tarrafa,
torta capixaba, lula alentejana,
brachola e bife à parmegiana,
moqueca de cação, barbatana de tubarão,
vieiras, polvo, ostra, mexilhão,
lagosta, cavaquinha,
lagostim, camarão.

"Jantarzinho lá em casa?
Você escolhe, lindeza!".

Ela se sentiu ofendida.
Ilusão mais curta da vida
Me passou carraspana. Era vegana.

Melhor assim, já é passado.
Alface me faz mal danado.

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José Guilherme Vereza
Carioca, botafoguense, pai de 4 filhos. Redator, publicitário, professor, roteirista, escritor, diretor de criação. Mais de mil comercias para TV e cinema. Uma peça de teatro: “Uma carta de adeus”. Um conto premiado: “Relações Postais”. Um livro publicado “30 segundos – Contos Expressos”. Mais de 3 anos na Samizdat. Sempre à espreita da vida, consigo modesta e pretensiosamente transformar em ficção tudo que vejo. Ou acho que vejo. Ou que gostaria de ver. Ou que imagino que vejo. Ou que nem vejo. Passou pelos meus radares, conto, distorço, maldigo, faço e aconteço. Palavras são para isso. Para se fingir viver de tudo e de verdade.
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