Receba Samizdat em seu e-mail

Delivered by FeedBurner

segunda-feira, 1 de maio de 2017

quase febre

o dia cansacento tropeça no lusco-fusco. cai afeito ao não-seguir. com ele os templos que se isolam nas mentiras aveludadas. vendo-me ao fatídico. no sentido em que me chicoteio até que alguém impeça a efetividade. o quando num porém. invisto na ida desencasquetado com o retorno. ninguém me procura. é aceitável irradiar um rosto que não permanece? escurece nas retinas. carpe tenebrum. a inspiração que me sustenta na rutilância do despenhadeiro é a vulnerabilidade. aglomerados de embriões umbralinos impedem a minha religação ao santuário do verbo. lá onde a penitência não cessa. zero hora onde a fixação é por diversas vezes. cruz alguma me deifica. onde está o cão para secar minha tóxica irrelevância? deus-me-acuda. apropriam-se de mim as dispensáveis alusões. não mais almejo o paradoxal trono dos que destroem o hábito de ruir. é um filete de gracejo que me restou na intuição. minhas degradadas pupilas retêm um cadavérico dragão acabrunhado. peço colo à ponta da lança. empalo-me no salmo do vale sombrio. um abrigo que me arde na intransponível certeza do exílio. desamparo rogado aos cativos da agressão. não me aceito no ímpeto. patética idolatria. desacato a resiliência que me calcula. os pormenores não constam na minha formulação. inominável polifonia. realoco-me na desconstrução da paisagem. amar é um comovente desleixo.

Share


Bruno Bossolan
Nasci em 25 de junho de 1988 e resido em Capivari, interior de SP. Sou Cronista e Redator do Jornal O Semanário. [www.osemanario.com.br] Autor dos Livros: N(ó)stálgico (Poesias, 2011 - Paco Editorial) - Barbáriderna (Poesias, 2012 - Editora Penalux), com participação também em mais de 10 antologias poéticas. Autor da Peça Teatral “Destroços do Martírio” (apresentada no Mapa Cultural de SP na cidade de Porto Feliz – 2008/2009).
todo dia 01


0 comentários:

Postar um comentário