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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Álbum

Eu sempre guardei feriado
como quem crê um milagre:
um beijo no carnaval, as luzes de novo ano, o banho de mar nas férias, recato na sexta santa, argola de namorado

A vida contada em recessos — pois fatos do todo dia acabam perdendo o viço

Meu livro é de festa das mães proclamação da alegria caça-ovos tiradentes bom velhinho corpus christi

Não fica de fora o finados:
chuvinha precisa e insistente, família de abraço cingido, gostoso zelar de memórias

Por muito e querido tempo, velávamos mortos distantes
cravados em outras instâncias: parentes de décimo grau, amigos de década antiga

Doía um nada na alma
saudade polida fazendo cosquinha

Mas ela chegou resoluta pra se apoderar dos retratos
ceifou meus avós alguns primos
rondou toda a vizinhança

Sem nem embaraço ou socorro
senhora de si e dos meus
laçou os chegados mais rentes.

Tocou até mesmo o meu pai!

Agora no 2 de novembro tormenta vem muito robusta
saudade que ofende o pra sempre


O que celebrar no suspenso – pra caber no hoje outra vez o tempo em que éramos juntos?

Maria Amélia Elói

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