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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

ZULEIKA

Zuleika


Atrasado. Bijuterias e joias falsas. Os olhares sobre. Para no corredor. Quatro passos, e a mesa no centro da sala. Colares e pingentes pulsam. No pescoço, o coração. Os pés acorrentados, tornozeleiras de chumbo (comprou como prata). O primeiro, lento. Não podia ver barracas ou camelôs. Já saía usando. “Não acha que está exagerando, filho?” A mãe, na única visita. Deu de ombros. Mais um, arrasta uma tonelada. “Parece uma puta rampeira! Não criei filho pra isso!” O pai, mal chegando e já indo. Deu de costas. O garotinho já morto. Mas agora... Outro, nem sente. Puxa o piercing do umbigo. Dói, não dói. Trava os dentes. O que era prata, chumbo. Dos olhares. O
seu mira a janela, agora desfocada. Um passo, a mesa, mais três. De cima para baixo, antevê: continhas pela calçada, pulseiras e colares espalhados, o piercing enfim livre da pele. No centro – a mesa – da sala. Deixa para trás. Agora, só mais um passo e


                                                                                         d

                                                                                         o

                                                                                         z

                                                                                         e
                                                                                           


                                                                                            andares.




Edelson Nagues
Do livro Humanos (Editora Scortecci).

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Edelson Nagues
(nome literário de EDELSON RODRIGUES NASCIMENTO) é natural de Rondonópolis/MT e radicado em Brasília/DF. Estudou Direito e Filosofia, com pós-graduação em Língua Portuguesa. É poeta, escritor, revisor de textos e servidor público. Na década de 1980 e início da década seguinte, em seu estado de origem, atuou na área musical, como vocalista e principal letrista do Grupo Reciclagem, tendo participado de vários festivais universitários e de festivais regionais e nacionais da Caixa Econômica Federal, obtendo diversas premiações, inclusive como intérprete e letrista. Na época, funcionário da CEF, atuava como representante do então recém-criado Conjunto Cultural (hoje denominado Caixa Cultural) em Mato Grosso. Premiado e/ou selecionado para coletâneas em vários concursos literários, entre os quais se destacam: Concurso Nacional de Poesia “Adilson Reis dos Santos” (2012, Ponta Grossa/PR), XXXIII Concurso “Fellipe d’Oliveira” (2011, Santa Maria/RS), Prêmio Prefeitura de Niterói (2011), XXI Concurso Nacional de Contos “José Cândido de Carvalho” e XII FestiCampos de Poesia Falada (ambos em 2011, Campos dos Goytacazes/RJ), Concurso Novo Milênio de Literatura (Vila Velha/ES, 2010), IV Concurso Nacional de Contos do SESC-Amazonas (2010, Manaus/AM), VI Desafio dos Escritores (Brasília/DF, 2010), XL Concurso Literário “Escriba” (Piracicaba/SP, 2009). É autor dos livros Humanos (coletânea de contos premiados) e Águas de Clausura (de poesia, vencedor do X Prêmio Livraria Asabeça), ambos publicados pela Scortecci Editora. É membro correspondente da Academia Cachoeirense de Letras (de Cachoeiro de Itapemirim/ES) e mantém (ou tenta manter) o blog pessoal www.senaoescrevodoi.blogspot.com.
todo dia 03


5 comentários:

Edelson, que narrativa psicológica e emocionalmente trágica. Dor. A moral sempre maior que a física. Tudo o que eu adoro. E que só pode ser feito por alguém com a mão igual à sua. Tu, poemas. Mas eu, definitivamente, te encontro mais na prosa. Dessa qualidade aí! Muuuito bom!

Muito bom mesmo. Exclente!

Mto obrigado, Cinthia e Cecilia. Vcs sempre amigas, sempre presentes...Abraços.

Cinthia, ando preguiçoso pra prosa (esse é um miniconto antigo), mas alguns textos que escrevo me deixam contente. A poesia ultimamente tem fluído mais fácil. Vou deixando ela me levar...

Valeu, André! Obrigado pela leitura.

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