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quarta-feira, 2 de abril de 2014

O POÇO E O CAVADOR


 
 
 
A gente morre um pouco em cada poço.
E estou, recluso em meu castelo.
Ergui meus muros, cavei meu próprio fosso,
Com minhas dores, cortantes qual cutelo.
 
Se hoje em dia não temo nem a morte,
Se minha busca resume-se à estrada,
Direis, talvez, que sou homem de sorte,
Mas eu sei o preço da jornada.

Se com a vida travei longo duelo,
E mergulhei no abismo até o osso,
Fui qual Narciso, julgando-me tão belo,
Ignorando que o lago era um poço.

Hoje me vejo, tão vil e sem remorsos,
Nessa infâmia que mais e mais se agrava.
E quanto mais tento livrar-me desses poços,
Mais eu percebo ser aquele que os cava.

 

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Tatiana Alves
Tatiana Alves é poeta, contista e ensaísta. Participou de diversos concursos literários, tendo obtido vários prêmios. É colaboradora da Revista Samizdat, já tendo escrito para os sites Anjos de Prata, Cronópios, Germina Literatura e Escritoras Suicidas. É filiada à APPERJ, à Academia Cachoeirense de Letras e à AEILIJ. Possui nove livros publicados. É Doutora em Letras e leciona Língua Portuguesa e Literatura no CEFET / RJ.

todo dia 02


1 comentários:

Como eu gosto de rimas boas. O arremate é de uma grande verdade. Um poema gostoso.

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