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terça-feira, 8 de abril de 2014

Blanco, Transblanco, Octavio Paz e Haroldo de Campos






Você certamente já experimentou a poesia: a sensação de não saber como explicar o modo como você diminui, sente-se ínfimo perto de uma grandeza muito maior que a sua e, imediatamente, sentir-se dissolvido e absorvido por essa imensidão, sentir-se fazendo parte dessa coisa incompreensível. Muitos poemas (também, com um sentimento semelhante, outras formas de arte, sobretudo a música) já causaram em mim essa sensação; entretanto, poucos como o poema Blanco, do mexicano Octavio Paz.



Pensei em apresentar o poema, falar a seu respeito e, talvez, até alguma impressão; entretanto, julguei que qualquer esforço exegético/hermenêutico/crítico fosse, no mínimo, desrespeitoso da minha parte com o poema, com o poeta, com minha experiência poética de sua leitura e da SUA experiência, você que está lendo esse post.

O poema na íntegra, inúmeros textos a seu respeito, encontram-se neste endereço: www.poemablanco.com.mx. Trata-se de uma exposição eletrônica, cujo conteudo (traduções, estudos, fotos, os SÍMILES dos rascunhos de Octavio!) orbita o poema. Tem a curadoria do professor Enrico Mario Santí (University of Kentucky, Department of Hispanic Studies), e da viúva do poeta, Marie-José Paz.






Blanco, (Joaquín Mortiz, ed., México, 1967) foi traduzido, ou, mais acertadamente, foi recriado por Haroldo de Campos, publicado no Brasil em 1981. Mais adiante, em 1986, Haroldo e Octavio publicariam o processo de tradução/recriação (re)intitulado Transblanco (Editora Guanabara; reeditado em 1994 pela Editora Siciliano), acompanhado de uma formidável seleção da correspondência entre eles.





Em 1985, no Anfiteatro de convenções da USP, os dois poetas encontraram-se e, na ocasião, houve uma leitura paralela do poema original em espanhol e de sua tradução/recriação em português. Previamente, Octavio Paz faz uma breve explanação de como Blanco pode ser lido, pelo menos, em sua estrutura original.


Aqui, então, o encontro poético que eu adoraria ter presenciado, problema temporal, que só pode ser minimizado pela experiência poética, e, neste caso, graças à tecnologia.  Aproveitemos enquanto isso existe.

[créditos do video: USPFM]
[créditos das imagens: acima, à esquerda: Octavio Paz (não encontrei informação do fotógrafo); acima, à direita: Haroldo de Campos (foto de Eder Chiodetto)]
[publicado originalmente em http://vcamargojunior.blogspot.com.br/2014/03/blanco-transblanco-octavio-paz-e.html]







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Volmar Camargo Junior EDITOR DE POESIA
Volmar Camargo Junior, V., nativo de Cruz Alta, ativo em Rio Grande, é poeta, vendedor de livros. professor não praticante, arquivista em formação, pai do Dimitri. Escreveu os blogs Um resto de café frio e O balcão das artes impuras. Escreve o Verbo.

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