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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Cada vez acredito menos no Pai Natal


Joaquim Bispo


É Natal. A tradição portuguesa louva o nascimento do Menino Jesus, com missa do galo, presépio e madeiro a arder no adro da igreja. As famílias transmitem a tradição, associando as crianças à montagem do presépio, que ganha um espaço de ternura em muitas casas do país, sobretudo no espaço rural. 
Entretanto, apareceu por aí um palhaço vestido de vermelho que teima em se imiscuir na tradição. Quem é ele? Será o pai biológico da criança? Um Rei Mago tresmalhado? Será o Rei do Carnaval e confundiu as datas? Mistério.
Certo é que o Pai Natal não faz parte de nenhum episódio do Novo nem do Velho Testamento. Não espreita em nenhuma tábua pintada, em qualquer templo de qualquer época. Não aparece em nenhuma iconografia cristã. Não tem nada a ver com o Natal. 
Como é que o enternecedor menino recém-nascido do presépio dá passagem a este grotesco barrigudo? Como é que o madeiro incandescente do adro se transforma em pinheiro nórdico, carregado de neve? 
A globalização tira-nos até a cultura dos nossos avós.

***

Imagem: http://www.tribunadamadeira.pt/?p=14538

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Joaquim Bispo
Português, reformado, ex-técnico da televisão pública, licenciado tardio em História da Arte. Alimenta um blogue antiamericano desde o assalto ao Iraque e experimenta a escrita de ficção desde 2007, com pontos altos nas oficinas virtuais da revista Samizdat, de Henry Bugalho, e da Câmara dos Deputados do Brasil, de Marco Antunes. Integra várias coletâneas resultantes de concursos literários dos dois lados do Atlântico.
todo dia 25


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