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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

a liberdade possível num labirinto de paredes de vidro



às vezes você se vê num labirinto de insignificâncias
está lá um meandro de paredes de vidro
erguidas em silêncio cada vez que você virava as costas
então você se dá conta
quando tenta andar
até acertar o lado para onde ir
ou aprender a fazer isso tateando
dá com o nariz em paredes que não vê
sangra
ou os dentes da frente amolecem
um corte no lábio
que vai ser preciso encontrar a saída 

essa é a liberdade possível 

mover-se é transpor divisórias
sem significado
[tão reais quanto as palavras que lhes dão nome, todavia]

talvez os labirintos estejam uns dentro dos outros
e as maiores probabilidades indicam
que não há nenhuma recompensa no final






publicado originalmente em http://poeticaipsisverbis.blogspot.com.br/2012/07/76-um-mal-de-ausencias.html#!/2012/07/84-liberdade-possivel-num-labirinto-de.html





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Volmar Camargo Junior EDITOR DE POESIA
Volmar Camargo Junior, V., nativo de Cruz Alta, ativo em Rio Grande, é poeta, vendedor de livros. professor não praticante, arquivista em formação, pai do Dimitri. Escreveu os blogs Um resto de café frio e O balcão das artes impuras. Escreve o Verbo.

todo dia 08


1 comentários:

V.
Sim os labirintos nos sufocam e, às vezes, até nos matam. Mas a escapatória está em sentir-se livre mesmo dentro de uma cela. A liberdade só nos é privada quando nossa mente é aprisionada.
Excelente texto. Como sempre, me levas a refletir.
Parabéns.
Adriane Bueno

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