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sexta-feira, 8 de junho de 2012

ao poema que se quer fazer numa noite fria





ao poema que se quer fazer numa noite fria
cumpre:

estar no meio dela
dentro dela
senti-la doer nos ossos
adoecer por sua causa
lutar para manter em si o [calor] que ela vai roubar
[estranho equilíbrio de forças]
saber como fato [não possibilidade] que é da noite o ar que se respira
permitir sem resistência [ou resistindo; importa pouco]
que se complete a adesão aos odores próprios da noite
aos sussurros, assovios de lábios rachados e
ao respiro nublado de seus habitantes
ser a letargia do cansaço diurno 
e o desejo por cair na intimidade das luzes acesas dentro dos vidros

de posse de tais ares
por eles possuído
enrodilhando-se como o gato que teme não ter para onde ir
voltar-se sobre si

[que aconchego há para um poema
que se quer fazer numa noite fria
que respira num silêncio grosso
que atravessa estações inteiro
que corta um a um os meses
?]

sem escolha
nem dúvida
[há esses direitos, sabe-se, mas não são seus]
dentro e no meio da primeira noite fria de verdade
um poema que se quer fazer
se faz

 
 
 
 
 
publicado originalmente em: http://poeticaipsisverbis.blogspot.com.br/#!/2012/06/66-ao-poema-que-se-quer-fazer-numa.html

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Volmar Camargo Junior EDITOR DE POESIA
Volmar Camargo Junior, V., nativo de Cruz Alta, ativo em Rio Grande, é poeta, vendedor de livros. professor não praticante, arquivista em formação, pai do Dimitri. Escreveu os blogs Um resto de café frio e O balcão das artes impuras. Escreve o Verbo.

todo dia 08


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