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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A Empresa



"O sangue é uma língua, a mais antiga delas." Ditado Antigo

Assim dos 666 dias era o novo equinócio, e sobre um diagrama pentagonal de fios, inserido em um círculo de moedas, invocou uma apresentação em powerpoint para dobrar os lucros, livrar as bolsas e banir o domínio benéfico das pessoas e das estrelas.

Tudo em nome da Empresa.

Era um homem crescente como a próxima Lua; dele não se chamava ruga, mas a pele fina e lisa, e na camisa a cor vemelha e o paletó de botões negros e dourados. As mãos escondiam feridas - fissuras onde os grampos e folhas o atravessaram, no escritório - daí a verdadeira moeda.

Calculara cada fala, cada gesto, para aquele anoitecer, e logo a perfeição geométrica do ritual anunciava não o esperado, mas sim o incômodo de estarem diante de algo excessivamente perfeito, que acabava por contrariar os propósitos obscuros de sua criação - como o homem assim do começo, como as palavras.

'Senhores', disse, e brandiu o fio de laser para o quadro onde se esvaeciam as imagens. Eram 22 slides maiores, cada um deles compreendendo um ato simbólico sem custos financeiros para a Empresa. Deles, 21 foram negados; confirmaram apenas uma proposta, a de usar a pele dos funcionários para fabricar copos biodegradáveis - pois mesmo na Empresa a ordem é a do Universo e a de fora dele.

Erik K. Weber
http://asd3copas.wordpress.com/

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Erik K. Weber
Gaúcho.






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