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sábado, 23 de janeiro de 2010

O Sapateiro, A anatomia de um psicótico - resenha de Giselle Sato

Se você pensa que já leu tudo sobre grandes assassinos psicóticos e não conhece O Sapateiro, com certeza deixou passar uma grande oportunidade.
A autora é Flora Rheta Schreiber, psiquiatra e autora de Sybil.

Em O Sapateiro, A anatomia de um psicótico, Flora não foge a regra e, mais uma vez, conta, com destreza, um dos raríssimos casos, em se tratando de serial killers, em que foi possível diagnosticar com precisão a origem de sua psicose.

Aos cinco anos de idade, Joseph foi submetido a uma cirurgia de hérnia. Seus pais adotivos, um severo casal de alemães, explicaram a operação para a criança de uma forma bem original: eles disseram que havia um demônio no “passarinho” de Joseph, e o demônio fazia com que o passarinho crescesse e ficasse duro, obrigando Joseph a fazer coisas ruins com ele.

Mas agora o doutor havia expulsado o demônio com a faca, de modo que o passarinho de Joseph ficaria sempre pequeno. Na noite deste mesmo dia, Joseph teve a sua primeira visão: o seu próprio pênis, amputado, pendendo da lâmina da faca de sapateiro de seu pai adotivo. A partir daí, Kallinger passou a associar facas e sexualidade de tal forma que, mais tarde, só conseguiria manter uma relação sexual e mesmo chegar ao orgasmo se estivesse segurando uma faca.

Ele começou a desenvolver um quadro de esquizofrenia paranóide, talvez a mais penosa e avassaladora dentre as doenças mentais. As visões começam a se multiplicar, Kallinger, agora exercendo a profissão de sapateiro, como seu pai, recebe a visita de Deus, que o ordena que salve a humanidade através da construção de um sapato apropriado, com a propriedade de curar as enfermidades da alma.

Após cerca de 40.000 experimentos ortopédicos que obviamente fracassaram, Kallinger tem outra visão, desta vez do Diabo. O Diabo lhe diz que, já que havia falhado em salvar a humanidade, sua missão agora seria exterminá-la: ele deveria matar cada homem, mulher ou criança na face da Terra através da mutilação de seus órgãos genitais.

Sua primeira vítima foi seu filho mais velho, que depois passou a assombrar o pai, na figura de Charlie, uma cabeça flutuante sem nariz ou boca que o incitava a cometer novos crimes. Outra alucinação freqüente era a Voz do Poço, uma cantilena fantasmagórica em um idioma desconhecido: Kryos Mary Kristos Kristorah Kristorah.

Em companhia de seu outro filho, Michael, na época com doze anos, Joseph Kallinger matou ainda três pessoas antes de ser preso. Após algumas tentativas de suicídio e ataques a outros presos, finalmente morre em 1996. O mais fascinante nesta história são as questões que ela nos coloca: até que ponto o mal é uma opção? Somos realmente senhores de nosso destino? Kallinger espalhou dor e sofrimento por onde passou, mas ele próprio sofria e precisava desesperadamente de ajuda.

O Sapateiro é um livro onde o personagem principal explica sua tendência homicida, o que o impele a ir além de todas as convenções e limites. A alma humana é dissecada, exposta sem pudor de chocar pelos detalhes sórdidos. O relato, nos mínimos detalhes, do mais brutal dos assassinos, aconteceram quando este estava na cadeia, no condado de Camden, em 1977. Em forma de confissões, Joseph procurou alívio aos seus tormentos, através de longas conversas com a autora.

Segundo a Dra. Schreiber , o assassino psicotico é muito diferente de um assassino psicopata. Este ultimo mata por dinheiro ou pelo prazer de matar,enquanto o primeiro o faz por causa de sua psicose. Isto não significa que todo psicótico seja um assassino, mas sim que o assassinato foi o efeito inevitável da psicose de Kallinger. Incapaz de saber a diferença entre suas visões e a realidade, entre os fantasmas que o assombravam e as pessoas que pensava estarem tentando destruí-lo. Era repleto de paradoxos.

O relato é rico em detalhes da infância e criação, do ódio e os motivos que o levaram a tornar-se um monstro aos olhos do mundo. Uma criança, moldada por pais doentios, anos a fio, torna-se um ser sem qualquer traço de comoção ou piedade. Toda a infância de Joseph é dissecada, o poder aterrorizante da fantasia e desejo sexual, dominam e distorcem a personalidade do menino. O órfão que desde o nascimento só recebeu rejeição e brutalidades, castigos e humilhações, retribuiu ao mundo o que aprendeu.

Capaz dos piores atos, do sadismo, crueldade pura e distorção da realidade, Joseph Kallinger é tanto poeta quanto homicida. Transita entre a fantasia, horror e obsessão, com a desenvoltura da loucura, lutando contra seus próprios demônios. A proposta é um mergulho nas profundezas do horror humano, o leitor é mero expectador da narrativa vívida dos atos praticados.

E uma obra obrigatória para quem busca compreender a verdade sobre o assombroso mundo interno de um psicótico arrastado para a insanidade e o assassinato. Sem dúvida, estimulará qualquer um que se interesse pelo estudo do comportamento humano e criminologia.


Algumas poesias de Kallinger em versão original, valem a pena serem lidas, nelas ele demonstra claramente sua instabilidade emocional.


Enraged

Hot anger has coursed through me
all my life,
I see it now,
I had not recognized the signs
before.
Anger, my biographer tells me,
began even before my birth
Not anger then, but
that of my mother who
wished I had not been conceived.
My anger came when
at the age of one month
my mother gave me up,
turning me over to the care of
starngers; a private boarding home,
an orphanage
and then my adoption by a middle-aged
childless couple that kept reminding me
they were my benefactors.
They were also always threatening
to send me back to the orphanage.
Each time they did, my anger flamed,
but I held back the expression of it
when I could
There were times that I couldn't:
times of beating my head against
the wall and running wild with rage.
I didn't fight other kids;
when I didn't my adoptive mother
called me chicken and yellow;
but if I had, she would have
been angry
generating anger in me.
Anger turned like a water wheel;
my adoptive parents' anger feeding
mine and mine theirs.
I carried a rage into manhood,
although when I first married,
I dreamed of a normal life.
But things went sour and my wife,
angry for reasons of her own,
walked out on me after taking
up with another man.
I cannot know, but I believe
he had more sexual power than
I had to offer.
Once my wife was gone, my anger
grew and grew.
My second marriage led to angers
of its own,
culminating when my children,
the three total gods of my doom,
had me locked up.
In time my anger found an
outlet in what the world calls crime,
and to me was the command
of God, a vengeful,
wrathful God.
He was telling me I could
become God myself by destroy
us I had been destroyed.
My anger, hot and piercing,
had led to what I wish
I had not done.
And, despite God's promise
that I would become God,
I am not God today.
All I am is a mental patient
on leave from prison,
out of the world that fed my rage





Disappointments In My Life


When I was a little child
I was put in an orphanage
for adoption , my first
disappointment. After I was
adopted my adoptive parents
never gave me any love
and were cruel to me,
child abusers, my second
disapointment in my life.
I was never allowed to play with other kids or have
friends in my adoptive parents
house all of my young life
with them, my third disappointment,
in my life. When I grew up and got
married and had children
she ran around with other men,
and neer took care of our
children and finally left me
for another man and I had
to raise the children alone, my
fourth disapointment in my life.
Later when I remarried and
had more children, She was
childlike and always on the
fringes of everything. She didn't
love our children and never took
care of them and finally left me,
My fifth disappointment in my
life. After that I learned I was
severely mentally ill and it had
started already in childhood.
My sixth disappointment in my life.
From then on my life got increasingly
worse, I went on a six month
crime spree. I robbed and murdered
people, My seventh disappointment
in my life. Shortly after that I was
arrested and tried for my crimes
and sent to prison for the rest of my
live, My eighth disappointment in my
life. My whole life started out in
disappointment and ended in disappointment
disappointment is all i have to remember
for a lifetime



My Final Walking Bell


As I rise this morning
I roll out of bed
to the noise of the food cart
being rolled on to the
head of the block,
the banging sound of the large
stainless steel lids
being taken off the trays,
being laid on top with a bang:
These sounds open my eyes
and as I look around
the guards march by
with three trays of food
for the men back in the main hole
of this prison,
and then I hear the clanging sounds
of each spoon being counted, each
being dropped against the stainless
steel tray: my final waking bell.



Odd Man

odd man at the trial
odd man all the while
what journalist's eye
could write my fearful fright?




My Home

My home is my
castle and I pray
nothing evil will
ever come cross my door



End-Time Song

I shall arise from the east to rule the world,-----
for I am a Beast, ---- they say!
a Man of sin, ----they say!
Yes! that's right, I am the Antichrist
The Antichrist,!----
Yes!-I will be, your worlds Dictator:
who will rule this, Your Unaverse
as your Antichrist,!-----
and during the, Great Tribulation, Period
I will enter into the new temple,
in Jerusalem,----
and proclaim my self as your God
for I the Antichrist am God,!----
and there will be put, ----
as I put in the New temple, ----
a statue of myself---
The Antichrist!-----
God--Your God--I-the-Antichrist,!
for I then your God, ----
Will rule the World,------
as your only God!---
and Dictator,!----
for I am the Antichrist,!-----
I am,!---& The Antichrist! of End-Time

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1 comentários:

Que história tétrica, mas, tirando por "Sybil", deve ser um ótimo relato para compreender esse tipo de mente doentia.

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