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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Brasiléiros e Brasiléiras

Volmar Camargo Junior


— Qual é a melhor recordação que você tem do tempo em que o Sarney foi presidente?

— Da poupança que eu tinha no Bamerindus. Cheguei a ter cento e cinquenta milhões de cruzados.

— Nossa! Tudo isso? E o que fez com esse dinheiro todo?

— Dei de entrada num par de chuteiras Kichute. Terminei de pagar no dia que o Ulysses anunciou que ia se candidatar, em 89. O que eu devia na loja de calçados dava para comprar um Fusca.

— E pagou como?

— Troquei o carnê com um cabo eleitoral do Collor.

— E você votou nele?

— Claro que não. Votei no Lula.

— Você não tinha medo da “ameaça socialista”?

— Até tinha, mas eu ficava tão emocionado com aquela musiquinha... “Brilha uma estrela... Lula lá!”...

— Tá, mas e o Sarney?

— Que tem ele?

— Não lembra de nada do governo dele?

— Ah! Claro. Lembro do dia que ele virou presidente.

— Virou?

— Sim. Lembro do Antônio Britto, porta voz do governo, veio dizer que o presidente eleito, o Tancredo, não ia poder comparecer à cerimônia de posse teve a infelicidade de morrer antes. Aí, o vice, Sarney, virou presidente. Depois disso, nunca duvidei de mais nada.



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Volmar Camargo Junior EDITOR DE POESIA
Volmar Camargo Junior, V., nativo de Cruz Alta, ativo em Rio Grande, é poeta, vendedor de livros. professor não praticante, arquivista em formação, pai do Dimitri. Escreveu os blogs Um resto de café frio e O balcão das artes impuras. Escreve o Verbo.

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