Receba Samizdat em seu e-mail

Delivered by FeedBurner

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O Lago

O Lago, Tarsila do Amaral, 1928.


Perto de onde moro
Há um lago
Nado, mergulho
vejo sentimentos
coisas escondidas
emaranhados
e a água turva

Vejo a mim
um garoto jovem
que pouco sabe
mas sonha
grandiosas
Feliz, se devaneia
e vive intensamente

Ora enegrece
e pela água turva
surge flutuando um velho
é a própria morte - doentia
traz consigo a Tristeza
e o redor desseca
eu também, me encolho e choro

As estrelas vêm
se entapetar na superfície
são gotas brancas n'água negra
reluzentes, lindas
eu as toco com
a ponta dos dedos
e engelece meu corpo

Caminho pelo água
de mãos dadas
com um vulto
vou e venho
no farfalhar da maré
canto o amor
a noite, o lago me renovam

O lago cochicha
em meus ouvidos
me mostra tudo
sou uma parte dele
ele parte de mim
entrelaçados, partimos
somos um vivendo noutro.

Share




1 comentários:

Bah, Gui! Muito bom, rapaz!

Postar um comentário