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quinta-feira, 14 de maio de 2009

No tempo em que os animais falavam

Joaquim Bispo
O carneiro e o lobo

No tempo em que os animais falavam, o Bush e o Saddam estavam a beber num regato.
– Estás a sujar-me a água! – disse o Bush.
– Eu? – ripostou o Saddam – Eu, como, se é daí que vem a corrente?
– Se não és tu, é o bin Laden!
E certeiro, espetou-lhe um corno no fígado.

***

Identificação

Quando a coligação árabe invadiu alguns países ocidentais, distribuiu pelos seus soldados baralhos de cartas onde cada carta tinha a fotografia de um ocidental procurado pela coligação. Isso ajudava os soldados a identificar com rigor os elementos perseguidos, que aos olhos árabes parecem todos iguais. Bush era o sheik de espadas e Blair a odalisca de paus.

***

Confissão

Saddam foi apanhado num domingo. Na terça-feira, descobriu-se que possuía documentos que o ligavam ao comando da al-Qaeda. Quinta-feira, encontraram a documentação que provava inequivocamente que o Iraque possuía armas de destruição maciça, e no sábado, confessou que foi ele que lançou duas bombas atómicas sobre o Japão.

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O ambiente sob suspeita

– Sr. Presidente, temos que assinar o Protocolo de Quioto: pela primeira vez em 10 000 anos, o gelo desapareceu do Monte Kilimanjaro.
– Não assino nada. Se o gelo desapareceu, havemos de encontrá-lo. Ele pode fugir, mas não se pode esconder!

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Joaquim Bispo
Português, reformado, ex-técnico da televisão pública, licenciado tardio em História da Arte. Alimenta um blogue antiamericano desde o assalto ao Iraque e experimenta a escrita de ficção desde 2007, com pontos altos nas oficinas virtuais da revista Samizdat, de Henry Bugalho, e da Câmara dos Deputados do Brasil, de Marco Antunes. Integra várias coletâneas resultantes de concursos literários dos dois lados do Atlântico.
todo dia 25


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