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sábado, 14 de fevereiro de 2009

toda. A semana


tava uma perna de um tanque de lavar roupa, em cimento.

Na Segunda-feira, estava um carro estacionado mesmo em cima da passadeira de peões que dá acesso à minha casa. Incomodado, afixei-lhe a meio do pára-brisas um pequeno autocolante amarelo, que trago sempre comigo, que diz: Estacione bem – Respeite os outros.

Na Terça-feira, deparei com o mesmo carro estacionado na passadeira. Indignado, apliquei-lhe, desta vez, um outro pequeno autocolante vermelho, que diz: Mal estacionado – Sujeito a reboque.

Na Quarta-feira, o carro estava outra vez na passadeira. Irritado por a minha acção pedagógica não resultar, levantei-lhe os limpa pára-brisas.

Na Quinta-feira, lá estava o carro na passadeira. Exasperado com tanta falta de respeito pelos outros, coloquei-lhe um pauzinho na válvula do pneu dianteiro direito. O ar ficou a vazar.

Na Sexta-feira, o carro estava, uma vez mais, na passadeira. Furibundo, puxei da chave de casa e apliquei um risco profundo a todo o comprimento do carro.

No Sábado, o carro já não estava na passadeira, finalmente. «Há pessoas que só entendem a linguagem da violência» – pensei.

No Domingo, verifiquei, com horror, que o pára-brisas do meu carro, bem estacionado, estava estilhaçado. No lugar do condutor, esprei





[Foto de JC Duarte]

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Joaquim Bispo
Português, reformado, ex-técnico da televisão pública, licenciado tardio em História da Arte. Alimenta um blogue antiamericano desde o assalto ao Iraque e experimenta a escrita de ficção desde 2007, com pontos altos nas oficinas virtuais da revista Samizdat, de Henry Bugalho, e da Câmara dos Deputados do Brasil, de Marco Antunes. Integra várias coletâneas resultantes de concursos literários dos dois lados do Atlântico.
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