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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Unha

Depois de algumas horas tendo a insônia por companhia, o homem adormeceu. Sonhou haver penetrado em seu próprio corpo, indo tão distante a ponto de vislumbrar a estrutura de um átomo. Constatou que, a exemplo dos sistemas solares, o núcleo do átomo assemelhava-se a uma estrela cujos elétrons gravitando ao redor desempenhavam o papel de planetas. Bestificado, posou em um dos elétrons e verificou a existência de uma avançada civilização habitando sua superfície.
O homem despertou junto com os primeiros raios solares e iluminar o seu quarto ainda intrigado com o sonho que lhe assaltara à noite. Iniciando sua higiene matinal, decidiu cortar as unhas das mãos. Durante o ato, centelha iluminou sua mente. Caso houvesse uma civilização vivendo em um dos átomos de sua unha, ele a destruiria com um simples manejar do cortador. Mas, uma dúvida pairou em sua mente. E se acaso a Terra estivesse localizada na unha de alguém?
Percebeu que a vida era por demais efêmera. Já passara dos quarenta e pouco havia conquistado. Decidiu que dali por diante, tomaria outras atitudes, viveria, ainda que algumas decisões tivessem um preço demasiado caro a pagar. Afinal, tudo poderia terminar diante de um cortador de unha.

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Zulmar Lopes
Carioca, jornalista, contista e aspirante a romancista, Zulmar Lopes tem um punhado de prêmios literários, a maioria de nenhuma importância. Membro correspondente da Academia Cachoeirense de Letras (ACL). Roteirista do curta de animação “Chapeuzinho Adolescente”. Em 2011 lançou o livro de contos “O Cheiro da Carne Queimada”. Finalmente concluiu o maldito romance cujo pano de fundo é o carnaval carioca e está na expectativa de que alguma editora incauta se atreva a publicá-lo.
todo dia 21


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