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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Mitos, mitos, mitos

Joaquim Bispo
A pressão comercial criou o mito do Pai Natal.
Antes, havia o mito cristão: uma virgem engravidou de uma entidade extraterrestre ou sobrenatural. A esse filho foram atribuídos feitos sobrenaturais: milagres. A história dos Romanos (uma espécie de americanos da altura) não deu por ele, o que não impediu que a lenda crescesse exponencialmente nos séculos seguintes. Nos últimos tempos, porém, tornava-se difícil transformar em paradigma do consumo o nascimento, no ambiente sórdido de um estábulo, de uma figura que acabou em situação não menos deplorável.
Um velho, meio avô excêntrico, meio palhaço, que voa de trenó, vive no Pólo Norte e dá objectos de consumo a todas as crianças, foi o mito que veio preencher a necessidade duma figura glamorosa ultra rica, que gasta a rodos. É claro que não é uma entidade sobrenatural que esvazia a carteira…

Muito gostam os inventores de mitos de pôr figuras antropomórficas a voar! Como na imaginária pré-contemporânea, barroca, sobretudo, em que figuras aladas de todos os tamanhos voavam em revoadas compactas em todas as direcções e tornavam incontrolável o espaço aéreo, também o Pai Natal foi criado como voador. Nada disto é bom para a, já de si, difícil decifração do mundo real, por parte da criança, que assim recebe, de quem mais confia, um acréscimo de dificuldade, uma mentira. Não se faz!

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Joaquim Bispo
Português, reformado, ex-técnico da televisão pública, licenciado tardio em História da Arte. Alimenta um blogue antiamericano desde o assalto ao Iraque e experimenta a escrita de ficção desde 2007, com pontos altos nas oficinas virtuais da revista Samizdat, de Henry Bugalho, e da Câmara dos Deputados do Brasil, de Marco Antunes. Integra várias coletâneas resultantes de concursos literários dos dois lados do Atlântico.
todo dia 25


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