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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A importância do prepúcio

Joaquim Bispo

Se Cristo nasceu a 25 de Dezembro, porque é que a era de Cristo começa a 1 de Janeiro?
Na verdade, não se sabe quando Cristo nasceu. Actualmente, pensa-se que nasceu cinco a sete anos antes da nossa era. O monge cita Dionísio o Exíguo, por volta do ano 532 da nossa era, indicou o dia 25 de Dezembro do ano 38 da era de César, como a data desse acontecimento e o início da nova era. No entanto, a era de César continuou a ser usada durante séculos. Em Portugal, foi D. João I que a aboliu, substituindo-a pela de Cristo, no ano 1460 da era antiga, que passou a ser o ano 1422 da nova era. Por isso, a data aposta nos documentos anteriores a esse momento deve ser diminuída de 38 anos, para os situar em relação à nossa era.
O início do ano civil estava fixado, desde os Romanos, em 1 de Janeiro, por ser o primeiro dia do mandato dos seus cônsules. No entanto, o início do ano litúrgico foi variando, conforme a época e os países, mas sempre associado a Cristo. No que ficou conhecido como o estilo da Incarnação ou da Anunciação, o ano novo começava a 25 de Março, dia apontado como o da anunciação à Virgem de que ia ser mãe. No estilo da Natividade, o ano começava a 25 de Dezembro. O estilo da Páscoa usava o dia desta festa móvel, o que era pouco prático. Finalmente, em 1582, os cronologistas católicos aderiram ao início do ano a 1 de Janeiro, a que se chama estilo da Circuncisão, por coincidir com a circuncisão de Cristo, já que era uso, entre os Judeus, circuncidar as crianças no oitavo dia após o nascimento.
Assim, curiosamente, vivemos na era que não é do nascimento, nem da incarnação, nem da morte de Cristo, mas da ablação do seu prepúcio.

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Joaquim Bispo
Português, reformado, ex-técnico da televisão pública, licenciado tardio em História da Arte. Alimenta um blogue antiamericano desde o assalto ao Iraque e experimenta a escrita de ficção desde 2007, com pontos altos nas oficinas virtuais da revista Samizdat, de Henry Bugalho, e da Câmara dos Deputados do Brasil, de Marco Antunes. Integra várias coletâneas resultantes de concursos literários dos dois lados do Atlântico.
todo dia 25


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