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terça-feira, 8 de abril de 2008

Laboratório poético I

Volmar Camargo Junior
MCMXXXIX - MCMXLV

Plácida, frígida, pérfida ética.
Cúpida cúpula, cópula, crápula.
Tétrica, gótica, mórbida súmula.
Cênica, cética: Era monótona.

Épico, lúdico, próspero círculo.
Rápido, trágico, ínfimo átimo.
Trôpego, ácido, bêbado íntimo.
Cênico, cínico: último século.

Vômitos tóxicos,
Vísceras cáusticas.
Velhas raquíticas, velhos caquéticos.

Megalomaníacos.
Ambíguos sofísticos.
Cínicos, céticos. Apocalípticos.
A rapa da panela.

O vovô adora comer
a rapa da panela de doce.
A vovó fez brigadeiro
só pra ele comer.
Não quis o doce.
Catou a colher e
raspou o fundo da panela.
Rapou, lambeu, lambeu,
rapou, lambeu,
rapou, rapou,
lambeu,
rapou,
rapou,
rapou,
rapou,
furou.

Agora, não tem mais doce,
nem a rapa da panela.

Nem a panela.
Flerte
Roseira branca,
na cerca, ama o céu
negro sem culpa.
Chuva de verão
Folha caída
é barco no falso mar
da enxurrada
Delícias
Chá de erva-doce,
bolinho-de-chuva.
Só falta chover.

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Volmar Camargo Junior EDITOR DE POESIA
Volmar Camargo Junior, V., nativo de Cruz Alta, ativo em Rio Grande, é poeta, vendedor de livros. professor não praticante, arquivista em formação, pai do Dimitri. Escreveu os blogs Um resto de café frio e O balcão das artes impuras. Escreve o Verbo.

todo dia 08


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